sábado, 23 de julho de 2011

FEIRAS

FEIRAS
Actualmente existem duas Feiras no concelho de Alfândega da Fé: uma que se realiza na própria vila, duas vezes por mês, a 17 e 30, e a Feira Anual, que se realiza em dia variável, na primeira quinzena do mês de Junho, integrada na Festa da Cereja. A primeira Feira é de origem Medieval, (Carta de Feira de 1395, passada por D. Dinis) e esteve nitidamente ligada ao processo de repovoamento desta região do Nordeste levada a cabo por aquele monarca, associando se assim ao próprio Foral da Vila, que data de 1294. Esta Feira, que em alguns períodos do ano atinge dimensão razoável, continua a motivar um fluxo apreciável de "tendeiros", oriundos de várias zonas do Norte do país, com particular incidência dos concelhos vizinhos e mantém a tradição de proporcionar um motivo de deslocação das populações do concelho à vila, que normalmente aproveitam estes dias para tratar de todo o tipo de assuntos. Muito embora não existam estudos precisos sobre esta Feira, ela conheceu algum declínio nas décadas de 70 e 80 do século passado, registando novamente sinais de recuperação, apesar de paralelamente se verificar o crescimento do comércio local. A Feira Anual, começou a realizar se há uma dezena de anos, acompanhando o desenvolvimento da Festa da Cereja, certame de características turísticas realizado pelo Município, em colaboração com a Cooperativa Agrícola local, que tem na cultura da cereja a sua mais importante produção.

FESTA DO MÁRTIR SÃO SEBASTIÃO



HERÁLDICA

Brasão: escudo de ouro, torre de relógio de negro, lavrada de prata, coberta de vermelho, entre dois ramos de amoreira de verde, frutados de púrpura, com os pés passados em aspa e atados de vermelho. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «FREGUESIA de ALFÂNDEGA da FÉ».

Bandeira: vermelha. Cordão e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da Lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Alfândega da Fé».

terça-feira, 19 de julho de 2011

OS CAVALEIROS DAS ESPORAS DOURADAS

Tendo os mouros uma fortaleza no monte do Carrascal, próximo da vila de
Chacim, saíram de Alfândega da Fé 25 cavaleiros de esporas douradas, que ajudando
os de Chacim e de Castro Vicente, desbarataram os mouros, obrando tais actos de
bravura que obtiveram para a sua terra, que se chamava somente Alfândega, o
sobrenome que tem.
Diz-se que o alcaide mouro do Carrascal, ufano com o seu castelo, impunha aos
cristãos circunvizinhos os tributos que queria, exigindo até tributo de donzelas para o
seu harém. Pedindo esse tributo aos cristãos de Castro Vicente, estes pediram socorro
aos desta vila [Alfândega da Fé], que, tomando as armas, atacaram o castelo com
grande intrepidez, tomando-o, matando o alcaide e livrando o país deste malvado.
Fonte: LEAL, Pinho – Portugal Antigo e Moderno, vol. 2, Lisboa,
Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, 1873, p. 114.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

SOPAS DA SEGADA

As sopas de segada, preparadas com pão fatiado, azeite, bacalhau desfiado e ovo às rodelas em camadas. O resultado é uma sopa seca com a consistência necessária para fazer os segadores recuperarem forças.

As sopas da cegada. Havia pequenas variantes na forma de as confeccionar mas, basicamente eram sopas de trigo amolecido com a água de cozer o bacalhau. Depois, deitava-se-lhe por cima uma sertã de azeite rijado com alho ou cebola e colorau. O alho também havia quem o pusesse em cru por cima das sopas, antes de lhe pôr o azeite rijado.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

PRAGAS E DINHEIRO

- Oxalá que tenhas tanta sorte e tão honrada sejas como o dinheiro.
- Corrida tu sejas como o dinheiro , enquanto não pagares o que deves.
- O dinheiro que me fizestes gastar de remédios, o comas na cama.,
- Corrida sejas como a moeda.
- Oxalá que andes a urrar pelos montes, até que me pagues o que deves.
- Oxalá que o dinheiro que roubaste aos pobres vá todo para a farmácia
e que não tenhas proveito.

PRAGAS INDEFERENCIADAS

- A praga do cavalão te caia, excomungada e amaldiçoada dos infernos.
- Oxalá sejas assolagada debaixo de cem moios ou palmos de terra.
- Oxalá andes tanto que as pernas se te gastem até aos joelhos.
- Que a língua te sirva de estrada real.
- Mil plumas te nasçam no coração, amaldiçoado.
- A rodilha do açougue te acompanhe.
- Oxalá que venhas do outro mundo a este com patas de cavalo.
- As tripas eu te veja de rasto e comidas pelos cães.
- Tantos picos te nasçam na língua como vezes falaste da minha vida.
- Oxalá que tantos trabalhos te persigam como formiga são precisas a
quatro, para fazerem cerco ao mundo.
- Tantos trabalhos te persigam como mosquitos são precisos para pôr o
paparola.

PRAGAS FAMILIARES

- Oxalá tenhas tantos filhos que não diferences as camisas deles.
- Tantas novas tenha de ti como da primeira camisa que vesti.
- Oxalá tenhas tantos filhos que não os conheças senão pelo ourelo.
- Permita Deus que desse parto tragas nove no ventre para teu castigo.
- Oxalá que te vejas gorda.
- Oxalá que caia a língua, tição do inferno.
- Oxalá que quando fores ter o filho, rebentes como as castanhas.
- Só te queria ver da minha companhia para fora e o diabo se entregue de ti.
- Oxalá que quando estiveres grávida, se for menina, que corra o fado com sete homens.
- Oxalá que sejas obrigado a passar por todos os silveirais e carrascais de
todo o mundo, enquanto me não deres a paz do meu lar.

PRAGAS DE CIGANOS

- Te nasça um garrotilho na cabeça.
- Havia de cortar a cabeça c’más casnás (galinhas).
- Um belchu t’ atravesse as golas (perú).Ah! Os acastres (olhos) te esgrelem.
- Ah! Home! Que te dê uma caganeira tão forte, que quanto mais andes mais cagues, e quando pares, arrebentes c’más castanhas.
- O bengui te le crer e te mate com um dandi e um achandi. (O diabo que te leve e te mate com um garfo e uma machada).
- Te nasça uma bola no coração.

PRAGAS RELATIVAS A CONTRATOS MATERIAIS

- Má raios partam a terra, mai-lo dono que tem ela.
- Quando voltares ao meu galinheiro, que te fiquem lá as mãos pegadas.
- Que lhe nasçam tantas penas na testa como penas tinha a galinha.
- Oxalá andes a ganir pelos montes até pagares o que me deves.
- Oxalá o teu homem que compres um carro velho

PRAGAS DEMONIÁCAS OU SAGRADAS

- Excomungado! O diabo te leve p’ràs profundas do inferno.
- Oxalá tantos anos passes nas portas do inferno como ondas tem o mar.
- Trabalhos te cubram, como pêlos tens na cabeça, maldito.
- Oxalá tantos demónios te cubram como beijos te dei.
- Que o diabo não te dê descanso.
- Mil seiscentos diabos te levem.
- Tantos diabos te levem como folhas abana o vento (como areias há no mar).
- Oxalá que vás p’ras pedras negras.
- Oxalá que não tenhas entrada no céu nem no inferno.
- Que vivas toda a vida tão desassossegada como me desassossegaste a mim.
- Oxalá que a tua boca fale tanto como os sinos tocam em dia de Páscoa.
- “Promita” Nossa Senhora do qu’«á promanhã» estejas morta.
- As três campas, as três santas e a má ventura te acompanhem, amaldiçoado.
- Que a rodilha do açougue te acompanhe, judeu reles, que mataste Nosso Senhor.
- Oxalá tenhas tantos demónios ás portas da morte, como pêlos tens na cabeça.
- Nossa Senhora permita que fiques ceguinho como os mochos de dia.
- Oxalá . nem Deus te queira no céu, nem o diabo no inferno.

PRAGAS RELATIVAS A DOENÇAS FÍSICAS

- Oxalá que te séques como as palhas.
- Mil garrotilhos te cheguem a dar.
- Cornos tenhas como os bois do Minho.
- Oxalá que te nasçam furúnculos (frunchos) no cu..
- Oxalá te cresça tanto a língua que não te caiba na boca.
- Oxalá que te caiam mil cobras pela chaminé e se enrosquem a ti, sem te
deixarem mexer.
- Que te dê uma caganeira que quanto mais andes, mais cagues, e quando
parares, te rebentes.
- Oxalá tenhas tanta sorte como a dos cães entalados.
- Eu te deito uma maldição.
- Oxalá cresças tanto como a correia no lume.
- Oxalá que os corvos te depeniquem os olhos.
- Que os corvos te tirem os olhos, e as águias o coração.
- Oxalá que o dinheiro que ganhes te vá todo p’ra remédios.

MEZINHAS CASEIRAS

Para o coxo:
Pegar numa côdea de pão torrado pô-lo em cima do coxo e fazer a seguinte reza:
“ Eu te talho coxo coxão, sapo sapão, bicho bichão, bicho de toda a nação. Em louvor de São Silvestre, quanto faço tudo preste, Vosso Senhor que é Verdadeiro Mestre”.
Rezar um Padre Nosso e uma Avé Maria.

Também para o coxo:
Pôr grãos de trigo queimado numa forja com ferro em brasa até ficar o óleo de trigo.
Depois põe-se em cima do coxo. Fica-se curado do coxo.

Carbúnculos:
Fazer uma papa de farelos amassados com vinagre, coloca-se em cima da ferida que depois amadurece. Era também queimada com um ferro em brasa.
" Maçaduras " ( inchado ) :
Fazer uma papa de farelos amassados com mel que se põe em cima do hematoma ou “maçadura“.

Também para as maçaduras:
Mistura-se mel com sal até fazer uma papa e coloca-se no local inchado até a moléstia curar.

Pulso aberto:
Pôr azeite quente e atar o pulso com uma ligadura.

Pancada no joelho:
Se o seu filho bateu com o joelho, faça uma massa com um ramo de salsa e vinagre e ponha-a logo no joelho com um pano.

Para as aftas:
É só pôr a ferver um pouco de alecrim em vinho tinto. Depois deixar arrefecer e lavar a boca.

Dores nas costas:
Fazer uma ventosa:
Acende-se uma vela e põe-se um copo por cima da vela. Quando a vela se apagar pega-se no copo e põe-se a fazer força no sítio da dor. Faz-se isto várias vezes.

Curar feridas que não estão abertas:
Fervem-se as raízes das malvas, das folhas da nogueira e da lagrimosa durante uns minutos. Lava-se a ferida duas ou três vezes ao dia com infusão até curar.
Ou então:
Lavar as pequenas infecções com chá feito de canela , salva ou folhas de salsa.

Furúnculos:
Curam-se com uma papa que é feita com leite bem quente e miolo de pão. Esta papa põe-se em cima da ferida até se aguentar. Depois rebenta e logo cura.
Ou então:
Pó de olmo vermelho e um pouco de água a ferver e óleo de eucalipto, faz-se uma "pasta", depois espalha-se esta mistura quente sobre o furúnculo mais do que uma vez até o pus sair.

Mal da Gota:
É preciso:
Sementes secas de alho, flores secas de urze e milefólio seco.
Põe-se esta mistura numa panela e juntar água a ferver. Deixar abrir durante uns minutos e passar pelo coador. Bebe-se este chá duas ou três vezes por dia.

Reumatismo:
Para aliviar as dores bate-se com urtigas cavalárias no sítio em que dói.

Dores de cabeça:
Combate-se esta moléstia colocando na testa rodelas de batata por decascar, apertando-as com um lenço.

Zona:
Mistura-se pólvora preta, cascas de alho e azeite, leva-se ao lume até ficar numa "pasta". Depois coloca-se na zona molestada durante uns tempos até ficar melhor.

Gastrite ( inflamação do estômago ):
Esta moléstia, quando aguda, apresenta os seguintes sintomas:
Dor na boca do estômago ( que aumenta quando se come ou quando se bebe ),
fastio, sede, língua esbranquiçada e seca, náuseas, vómitos, dor de cabeça e ansiedade.
Tratamento:
Se for leve basta o uso de bebidas frias ( chá de flores de malva e de linhaça );se for mais forte deve-se fazer dieta e continuar com água fria repetidas vezes em doses pequenas.

Gripe:
É sinal de gripe febres, dores e peso na cabeça, inchação das faces e olhos, secura, falta de apetite, tosse, dores de garganta.
Tratamento:
Toma-se um chá de sabugueiro adoçado com mel.

Para o cabelo com caspa:
Lavar o cabelo com cavalinha ou com urtiga.
Se quiser ter o cabelo mais forte:
Faça uma papa de salsa esmigalhada misturada com água.

Calafrios:
Para tratar os calafrios toma-se chá de flor de sabugueiro ou de erva cidreira ou até de flor de tília.
O chá dos figos cozidos também faz efeito.

Comichão:
Tomam-se banhos de água morna com sabão ou até mesmo água misturada com vinagre.

Constipação:
Trata-se com banho dos pés feito com farinha de mostarda.
Recomendam-se estes chás para a constipação: chá de flores de sabugueiro, chá da casca do limão, chá da flor de tília. Convém transpirar e mudar as roupas molhadas.

Pneumonia:
Cura-se com uma papa de linhaça:
Desfazer a linhaça bem desfeita no almofariz.
Pôr a linhaça com um pouquinho de água numa sertã e ferver bem fervida.
Logo de seguida pôr a papa numa gaze e colocar directamente nas costas ou peito até arrefecer.
Fazer isto uma vez por dia até curar.

INFUSÕES, CATAPLASMAS E UNGUENTOS

Infusões:
As Infusões são uma maneira mais simples de utilizar as plantas aromáticas.
Podem ser tomadas como remédios ou como chás. Uma infusão é feita mais ou menos da mesma maneira que os chás, usando ervas frescas ou secas: a água deve estar quase a ferver. A infusão pode ser feita com uma só variedade ou como uma mistura de ervas. Pode ser bebida quente ou fria e é preferível fazê-la fresca todos os dias.
Como se faz?
Em primeiro lugar, aquecer um bule com água quente. Deitar as ervas frescas ou secas.
Depois, deitar a água quente, quase a ferver. Tapar o bule com a tampa e deixar a infusão abrir durante dez minutos. Deve-se coar a infusão.
Por fim, juntar mel ou açúcar, conforme o gosto, na chávena. Passar o resto para um jarro, tapá-lo e guardá-lo num local fresco ou no frigorífico.

Cataplasmas:

Uma cataplasma de pão ou de batata esmagada ensopada num xarope de ervas costumava ser o remédio preferido para pequenos traumatismos e dores. Hoje em dia, as cataplasmas são feitas com ervas frescas picadas e aplicadas quentes.
Como se faz?
Ferver as ervas frescas, espremer o líquido e espalhar sobre a zona dorida, espalhando primeiro um pouco de óleo sobre a pele, para que não cole.
Prender com ligaduras de gaze ou pano, para manter a cataplasma no sítio.
Uma cataplasma de couve cozida serve para aliviar as dores no punho ou na perna.

Unguentos:
Os unguentos são feitos com óleos ou gorduras, não têm água e não entram na pele como as pomadas.
Quando a pele está fraca é preciso fazer um unguento.
Antigamente, os unguentos eram feitos com a gordura dos animais mas hoje em dia são feitos com vaselina ou com cera de parafina.
Como se faz?
Derreter a vaselina ou cera numa tigela dentro de um tacho com água quente.
Juntar as ervas e aquecer durante duas horas ou até as ervas estarem bem secas e quebradiças, sem deixar que a água se evapore completamente.
Deitar a mistura num saco de pano atado com um cordel.
Espremer bem para dentro do jarro.
Deitar rapidamente a mistura ainda quente para dentro dos frascos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CASA DO CAPITÃO MENDONÇA OU CASA DOS VISCONDES DE VALE PEREIRO

Chegando-se ao centro da vila é frequente, ao Domingo, encontrarem-se os homens da terra em jogos tradicionais, a raiola e a malha, na Praça do Município. É nesse largo que se situa a Casa dos Viscondes de Vale Pereiro ou Casa do Capitão Mendonça.
A sua fachada norte dá para o largo, enquanto a fachada principal (poente)está virada para a Rua Capitão Mendonça. Um prédio de três andares, de construção recente, separa a casa do muro da quinta. Este é embelezado por um antigo e imponente portal de granito, que pertenceu a uma casa da família Távora.
José Manuel Martins Manso foi grande proprietário no concelho de Alfândega da Fé. Em 1897 foi agraciado pelo Rei D. Carlos com o título de Visconde de Vale Pereiro, localidade onde tinha um solar.
Por esse tempo mandou construir esta casa na praça principal de Alfândega da Fé. Na mesma propriedade o Visconde mandou colocar um portal de granito, encimado por uma cruz, proveniente de uma casa da família Távora, que comprara alguns anos antes. Dessa casa retirou esse portal e o campanário, que doou à Paróquia para a capela de São Sebastião. Era grande a influência dos Távoras naquela região no princípio do século XVIII. Nesta altura Alfândega da Fé tinha cerca de 150 habitantes e o Marquês de Távora tinha nessa localidade Vários direitos reais sendo que, em treze lugares recebia 18 réis por cada morador e, em outros seis, 30 réis.
Actualmente a Casa pertence aos herdeiros da Senhora D. Rosa Maria Cândida Manso de Mendonça, que a herdou de seu pai, o primeiro Visconde de Vale Pereiro.
A quinta é vedada por um alto muro pintado em cor ocre.
O acesso à propriedade é feito pelo já referido portal de granito, para um amplo pátio.
Ao fundo, um edifício de um só piso integra a garagem e uma cozinha com forno de pão, que é utilizado em tempo de colheita de azeitona. Tem uma porta grande, central, e duas laterais, esguias, cujas aduelas são feitas de madeira.
À direita, encontra-se um edifício de dois pisos que, em baixo, recolhe os tractores e o escritório do feitor da quinta e em cima tem a casa onde, noutros tempos, se guardava a amêndoa. A sua fachada principal é percorrida por um alpendre todo feito de madeira, bastante característico na região.
À esquerda situa-se a casa principal. Para o pátio comunica a parte baixa da habitação: os quartos de pessoal e um compartimento onde se guardava a lã das ovelhas e o bagaço. Na quinta, cultivam-se a oliveira e a amendoeira.
A fachada principal do edifício apresenta, ao nível do andar térreo, três portas, separadas por duas janelas em forma de óculo. O andar nobre integra cinco janelas de sacada em que está presente uma hierarquia: a varanda central é de pedra, enquanto as restantes são de ferro. A encimar, um brasão de armas estilizado, com a coroa de Visconde.
Na fachada nascente (traseiras) encontra-se um alpendre, com arcaria de pedra e uma sucessão de balaustradas, apresentando dois arcos para a rua, que rematam a fachada norte.
No piso térreo situam-se vários quartos, salas e a zona de cozinha e copa. A sala de entrada tem paredes de estuque pintado, lembrando mármore.
O andar nobre é cortado por um vasto corredor, que o percorre de nascente para poente. Ao fundo, a sala de jantar (a nascente), apresenta paredes forradas de madeira até meia altura. Do outro lado, o salão com um bonito tecto de estuque, onde sobressai, entre outros elementos, um monograma do primeiro proprietário da casa: J.M (José Manso).
Sendo o núcleo habitacional de Alfândega da Fé bastante desprovido de riqueza patrimonial do ponto de vista artístico, a casa dos Viscondes de Vale Pereiro marca uma posição bem definida na vila, como refere João Baptista Vilar: ”(…) O principal largo da vila é o campo da feira que é amplo e bem arborizado. È pelo meio dele que passa a estrada. Ali ficam os Paços do Concelho, cadeia e as casas mais bonitas da vila, destacando-se de entre elas o Palacete do falecido Visconde de Vale Pereiro (…)”